sexta-feira, 6 de maio de 2011

A corrida.

Éramos companheiros de corrida.
Do ônibus ao chuveiro.
Éramos amigos.
E corríamos no mesmo ritmo.
Mesma velocidade, passos ordenados.
Natural: esquerda, direita, esquerda, direita.

Durou pouco.
Cansaço, ou o calor do Rio de Janeiro, eu não sei.
Desandou: esquerda, direita, direita, direita, esquerda.
Confusão.

Ruptura.

Ele continuou.
Correu o mundo com seus pés.
Gastando as solas, desnudando a carne.
E eu fiquei.
Caído.
A segui-lo com o olhar.
E eu o segui, e segui - era onipresente.

E ele nem olhou para trás.

sábado, 2 de abril de 2011

Do A e do Re no A ou Re Provado

Eu tiro o A e escrevo o RE e não me importo se ele tem uma família.
Eu tiro o A e escrevo o RE e não me importo que essa é sua última chance.
Eu tiro o A e escrevo o RE e ainda há muitos na chamada.
Eu tiro o A e escrevo o RE e o sono já me chama.
Eu tiro o A e escrevo o RE e ele deve estar dormindo ou vendo sacanagem.
Eu tiro o A e escrevo o RE e não me importa se isso pode matá-lo. Ele é só um número e os números são infinitos.
Eu tiro o A e escrevo o RE e durmo tranquilo, chego a roncar. O sono é tudo o que me importa.
Eu tiro o A e escrevo o RE e ele está reprovado.

Passemos a outro número da chamada.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Poema de amor a uma camisa rasgada.

Tenho carinho por esse texto, ele fala da subjetividade. E exalta o amor, nele eu amo e compreendo apenas a minha camisa rasgada e manchada.


Se olharem a minha camisa
se olharem bem
os furos como póros
de um ser
ser que vive :
ser vivo.

E mesmo bem profundo,
a fundo,
não a verão bonita.

A enxergarão furada,
mas refuto e tenho argumento:

Está na meninice, deseja brincos nas orelhas.

E a julgarão manchada
enquanto eu verei a pintura em seus olhos
(especialmente as meninas dessa idade tem certo apego às cores)
refuto:

Eles não entendem a maquilagem de minha pequena, é vanguarda demais.

E eu os verei uns crápulas
insensíveis, limitados, sem amor
E não há o que refutar.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A problemática do ácido-base.

Em homenagem à querida Andréa Motta, que me dá forças. A ela segue o texto e o meu sincero muito obrigado. O texto não é pra ela ou sobre ela, mas eu o dedico a ela, grande apreciadora de literatura.

Aí vai:

Me classificam ácido.
E pior: forte e oxidante.
Do nariz largo e traços grosseiros.
Membro avantajado- tamanha desvantagem!

Sou base, doador(a).
E das mais fortes.
Quem em aquoso se dissocia.
E doa, doa e doa.
Elétrons, hidroxilas, tudo.
E recebe.
H+, H+,H+.
Quão receptor!
Sou.

Nasci dotado de Hidrogênio.
Pior: íon.
H+.
Em água produzo hidrônio.
Mas contra minha vontade- juro.
No armário queria estar à direita, com os hidróxidos.
Odeio o muro que nos separa-acham que reagimos violentamente.
Mas um dia saio dele- juro.

E que mudem os conceitos básicos de química.
Que morram Arrhennius, Lowry e Lewis.
Aos infernos as funções inorgânicas!
E junto levem suas tolas classificações.
Que calculem meus hidrogênios mas me vejam base, alcalino.
Que se ioniza mas tem pH maior que 7.

Mas que doa.
Sempre.
Que é.
E é por escolha, vontade própria ou condição.
É.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desencontro

Até escrevi sobre essa confusão toda que houve no Rio, talvez um dia poste, mas não me interessa a guerra, e sim o amor.

Me interessa o amor.
Ele quer o prazer.
Eu quero seu amor.
Não lhe interessa meu prazer.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

domingo, 17 de outubro de 2010

BiHomoHétero

??BiHomoHétero??
?O que escolher?

Seja hétero!
Odeie os bis!
Sinta pena dos Homos!


Hoje li no Globo algumas matérias falando sobre o preconceito à homossexualidade entranhado na nossa cultura. Já tinha escrito, mas acho que é um bom momento para postá-lo. Muitos interpretaram de forma errada. Mas o espaço é meu e a interpretação é de vocês. Interpretem como preferirem, mas saibam: Digo exatamente o que não quero dizer. De qualquer modo, é forte.