sexta-feira, 13 de abril de 2012

Amém

* Jesus deixou apenas um mandamento: Amem. A igreja, mistificadora, pôs um acento para ninguém entender. Nasceu Amém.

Espalham câmeras como se pudessem flagrar nosso amor.
Como se suas imagens, sem foco e de lentes sujas, pudessem captar o que somos.
Eles não sabem o que é o peito doer.
Eles não conhecem a insônia de sorriso estampado.

Não conhecem o menino dos dentes tímidos.
Nem seu amar com os olhos.
Neu seu transpirar cuidado,
ou seu andar Carlitos.

Também não conhecem o menino do objetivo
de ver o subjetivo
do mundo.

Eles não sabem o que é amor,
não conhecem a riqueza de seu espectro,
se limitando a pequena parte do todo.


Perdoemos
lhes.
Perdoemos
nos.

(e)

Amemos
lhes.
Amemos
nos.

Amem.

Amemos.

Amém.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Poema do Existencialismo

É, vivi, geralmente vivemos sem viver. E obrigado, por me ajudar nessa luta de olhar com olhos de ver. Texto surgiu da nossa conversa, texto é nosso e é texto de ler.

Olhava o mundo de olhar,
não via de ver.
E não fazia de fazer.
Nem vivia de viver.

Mas quando morreu,
morreu de morrer.
E não há o que dizer
sobre.

( E tamém não estudava de estudar,
ou cantava de cantar,
mas rezava de rezar - embora não soubesse de saber o que é o amor
mas o fato é que dos verbos de primeira conjugação
o autor se esqueceu,
e não foi de esquecer,
foi de esquecer por querer
mesmo.)

quarta-feira, 14 de março de 2012

Um Dia

Não vim do futuro.
Nesse nem tenho interesse.
Eu vim do Um Dia
E foi no Um Dia que aprendi a ser

Dizem que minha verdade é utopia.
É sonho, magia.
Inverdade, fantasia.
Boa intenção que não remedia.
A dor dessa gente toda.

É que não sabem que a beleza vem de dentro.
E no íntimo mora a poeisa.
Eles não sabem que é só questão de tempo.
A chegada do Um Dia.

Nem toda dor vai ser curada.
E as lágrimas ainda terão seu lugar.
Eu já vou estar mais que morto.
Mas esse dia há de chegar.

E esse Um Dia.
É só o dia.
Em que o amor reinar.

sábado, 3 de março de 2012

Meninos

Há meninos que amam meninos.
E há outros meninos que matam meninos.
E ainda outros meninos que matam meninos que amam meninos.
E mais outros que não amam ou matam ou matam os meninos que amam meninos.

E esses meninos,
e quaisquer outros meninos, são
apenas
Meninos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Conto gótico

Era para o primeiro texto do ano ser sobre fé no ser humano e tal. Mas precisei escrever o texto abaixo. Ele é um grito contra adolescentes de 15/16 anos imersos em ideologias, respeitáveis obviamente, de forma fanática. Há meninos dessa idade que não conseguem pensar na possibilidade de o outro estar correto, que não conseguem discutir, formular argumentos. Esse lamento é raivoso e triste. Não é contra eles, é contra um sistema politico-religioso que faz essas pessoas assim. Pessoas que tem acesso a ciência, mas que a veem apenas como um meio de fugir da pobreza e não como fonte de informações para uma vida melhor, uma interpretação racional da vida. Esse texto não vai mudar nada, eu sei, mas são minhas raiva e imaginação em palavras contra esse tipo de pensamento. É triste ter aulas com doutores mas sair da sala quando ouve a palavra sexo. Esse pensamento está mais próximo de nós que pensamos.

Feliz 2012, com muita reflexão e aprendizado para todos nós.

Segue o texto:

Andava com todos seus orgulhos e fracassos. E não tinha uma bolsinha de orgulhos e fracassos, andava com eles misturados à pele, ao sangue, às vísceras. Eles, os orgulhos e os fracassos, eram parte dela, eram seu caráter, suas ações; era a moça, em orgulhos e fracassos.


A cada dia se enchia mais de derrotas, vitórias, maldades, bondades. E nada de bolsinha, iam todos para sua pele, seu sangue, sua alma. Andava com a pressa e a obstinação de quem tem um objetivo. E a mulher tinha.

Como se acreditasse no andar e andar, até as solas não aguentarem, até o sangue manchar o asfalto e a dor ser insuportável, até não haver mais pés, até serem asfalto e pé uma só coisa e serem mais que um amontoado de preto e vermelho, asfalto e sangue; serem um ser, não vivo por ser um sinal da morte.


A mulher não andava como louca pela cidade com os pés descalços. O parágrafo acima é só figura de linguagem, embora não se distinga tanto da realidade. A mulher andava de ônibus e de carro e de pés, e usava tênis e sandálias e solas. E o sangue não era de feridas de seu corpo, era de algo mais profundo. E a mulher nem sentia.

Viveu como ser humano qualquer, normal de norma, comum de comunidade. De dizer bom dia e boa tarde a todos. E todo existencialismo proveniente de sua vida - esta narrativa, por exemplo, - não fora percebido pela interessada. Fez o ciclo completo: nasceu, cresceu, reproduziu e morreu. E não percebeu, como todos. Devia estar ocupada demais vivendo.


Quando morreu não se surpreendeu, mas creio que o faria. Não havia céu eterno e nem fogo eterno. Havia sono eterno, - e mais uma vez é só uma figura de linguagem - embora ela não percebesse, de novo.

Na verdade, e agora sem figura de linguagem, havia o nada, eterno. Havia o mesmo que há no sono, quando não há sonho, aquele vazio que ninguém explica, aquele preto.


Além do nada, havia pessoas chorando em volta do túmulo. Amigos, filhos, desconhecidos. Choro e tristeza. E havia os erros que não foram cometidos, os pecados não executados, as vontades que ficaram no passado, as paixões nunca realizadas, enfim: havia vida que não fora vivida.


Havia os erros e belezas de uma vida que não fora vivida. Erros e acertos marcados pelo medo, pela crença incontestável em algo, que poderia puni-la, que poderia enviá-la para o inferno se gostasse de outras meninas ou mesmo se falasse com gays. Ateísmo? Assunto proibido. Outras religiôes? Melhor nem falar nisso. Pensar? "Menina, você quer ser fisgada pelo inimigo?!"


E a mulher jazia ali e não se arrependia porque não podia, porque matéria orgânica não se arrepende, porque adubo não pensa e no túmulo só havia trabalho: decompositores a todo vapor. No balanço ficou uma vida vivida sem plenitude, sem pensar, com amarras para o sentir. E a vida, já que morreu, se esgotou, e ficou, portanto, apenas a não plenitude, a falta.


As crianças dos orfanatos que visitava, os irmãos da igreja, seguiram em frente. Sem a alma caridosa que tanto os ajudou. A mulher não. Agora era apenas uma mistura fedida de nutrientes para o sólo.E deus nem entrou na história.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O abraço.

Todo o amor que passou em sua vida e todo o amor que viria a passar em sua vida. E o homem assistindo de perto, com os olhos perdidos e confundidos com outros olhos na multidão. Todo seu amor ali, à sua frente, em um abraço excludente de si. Não eram um menino e uma menina, não eram colegas de escola, adolescentes em abraços fajutos. Não. Era seu amor do passado e seu amor do futuro se abraçando, se amando, e excluindo o rapaz.

Abaixou a cabeça e morreu, para aquele presente, para aqueles amores. E aqueles amores se foram para todo o dia. Ao levantar o rosto, viu, de relance um transeunte em primeiras barbas: renasceu para o amor. E agora estava vivo de novo, com mais uma cicatriz, a cicatriz de mais dois amores. Com mais uma cicatriz estava o rapaz, vivo para o amor.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Por aí

Parte 1

Havia rugas. E marcas e manchas e cicatrizes. E eram só rugas, marcas, manchas e cicatrizes. Não era luta, nem tristeza nem raiva nem dor. Não era um pai morto, uma mãe ausente. Não era o fracasso, a pobreza. Em seu rosto, se via apenas rugas, marcas, manchas e cicatrizes.

Descia a rua com a naturalidade do fazer todos os dias, das pedras de tão frequentes, amigas, que nunca a derrubariam. O andar tinha a tropeguidão das quatro da manhã. Não muita gente agora na rua. Algumas olhavam, outras continuavam em seus próprios assuntos. O cabelo já se desfazia do coque, o suor borrando a maquiagem, as roupas apertando com a calça mostrando mais do que devia: era fim de noite por completo.
Foi ganhando os Arcos da Lapa. O céu enevoado sobre a cabeça e junto com o céu todo o Rio de Janeiro. De plateia só mendigos em sono profundo e nem sequer um ou outro pivete para receber um boquete.

A cabeça estava vazia. Era piloto automático direto para casa. No murmúrio solitário devia reclamar da vida ou ensaiar resposta a algum cliente abusado. E ensaiando que estava, não pôde atuar: sentiu alguém lhe agarrando por trás. As mãos eram fortes e grandes.

-Espera aí, vamos conversar.

O homem não quis conversa. Com as mãos fortes a manteve presa e sua língua explorou a nuca e arredores da moça. Virou-a com força e forçou sua boca contra a da moça, em algo parecido com um beijo. Babado e com arranhões de bigode. Embora acostumada a isso, a moça queria sair, seu expediente já havia terminado. Tentava falar:

-Espera aí, eu sou profissional.

O homem não lhe dava atenção, só queria saber de boca, dentes, beiços e baba. Com as mãos explorava o corpo da moça, já dentro do soutien. Esse não era o primeiro homem corpulento que conhecera, não eram as primeiras mãos nojentas com quem tivera contato, mas a moça estava cansada, e além do mais, ainda não havia combinado seu preço.

A mulher tentava gritar, o homem lhe tapando a boca. Disse em seu ouvido.

-Vamos só fazer um amor gostoso.

A contra gosto, mas já sentindo prazer, prazer a mulher concordou.

-Eu não sou uma mulher qualquer, eu tenho meu preço. E estamos no meio da rua.

-Vou te levar ao meu cafofo.

Enquanto iam a algum lugar, o casal não parou de brincar. Iam bem juntos e o homem ia atrás. A mão sob o soutien da mulher, desnudando seus seios. A mão da moça dentro da calça do policial que tinha o membro para fora. Com a língua do homem em sua nuca, a mulher avistou o céu, e as nuvens haviam se dissipado. Avistou o Teatro Municipal, que parecia saudar os amantes com sua grandiosidade. As sandálias e a garrafa de vodca, que nem foram mencionadas, se perderam em algum ponto da narrativa.

Cruzaram a Cinelândia. Já se podia ver o pequeno posto policial. Da janela viram um policial cochilando em sua cadeira giratória.O homem bateu no vidro. O policial acordou assustado, já empunhando o fuzil que segurava. Abriu a porta.

- Carne nova, sargento?

- Então, soldado, queria que você me quebrasse essa... Sabe como é, não é?....
Queria ter uma privacidade aqui com a menina.

-Ué, a gente não pode dividir?

-Para dois é mais caro, vou logo avisando.

Sargento Gomes concordou com a cabeça:

- Hoje você vai ser a alegria dos Papa Mike.

Parte 2

Perdera o pai em um cochilo. Assistira (a) seu agonizar por longo tempo mas o sono foi mais forte e dormiu. Os olhos se fecharam e o pai ainda gemia de dor. Quando o silêncio se fez, acordou de susto. Viu o pai de olhos esbugalhados, as mãos imóveis na tentativa de retirar o respirador, a barba por fazer, a cama de ferro frio de colchão fino e lençol manchado, os dedos contraídos na magreza de dias de cama.

O velho afogado em sua biles amarelo ovo. Os olhos abertos encarando a luz branca do quarto que o impedia de ter paz. Ao ver seu pai, a moça sentiu um golpe. Um golpe e um alívio. O calvário havia terminado. De olhar cabisbaixo pôs a mão na testa do pai. Tentou rezar um pai nosso. Não conseguiu. Se lembrava apenas de algumas frases da oração. Com uma lágrima nos olhos, fechou os olhos do pai. Pegou suas coisas calmamente e saiu. Foi ao posto das enfermeiras e disse:

- Meu pai morreu.

A expressão do velho ao morrer não tinha nada a ver com sua cara nas noites de farra, quando chegava bêbado acordando os filhos. A camisa molhada de suor, o pano justo sobre a barriga peluda. Ia cambaleando direto ao quarto possuir a mulher. E a menina se levantava, sorrateiramente, com cuidado para não acordar os irmãos, arrastava a cômoda e punha os ouvidos na parede para escutar os gemidos da mãe. Os gritos da mãe lhe davam prazer e inveja. Não entendia como o pai se interessava por aquela mulher gorda e velha, de depilação atrasada e amarras sexuais. E com as mãos sob a cueca substituía o membro do pai, se esquecendo da raiva, da inveja, tendo só prazer. Imaginando o pai a possuindo, a amando, e a fazendo mulher.

Aos poucos foi desenvolvendo algo ruim pela mãe. Um misto de inveja, ódio e, é claro, amor. A situação piorou de vez quando a mãe soube que andava se envolvendo com outros meninos. Acordou-a com a raiva nas fazes rubras de gritar. A menina, de cabelos para cima, acordou apanhando:

- Viado! Viado! Viado!

A mãe pegou-a pela orelha e torceu até a menina levantar. Levou-a à rua ainda em trajes de dormir. A menina em lágrimas de humilhação. Portão a fora, foi gritando:

- Margareth! Margareth!

Uma mulher pôs o rosto para fora de uma janela.

- O que foi?

Sentiu muita raiva ao ver o rosto da mulher surgir na janela, mas agora poderia desmascarar aquela fofoqueira.

- Aqui está meu filho. Quero ver você dizer o que disse na frente dele.
Ao filho:

- É verdade, o que ela disse? É verdade que você estava chupando o pau de um menino ontem na praça?

O filho ficou em silêncio. A mulher continuava a apertar a orelha do filho que continuava a chorar.Apertou mais forte:

- Fala! Fala que essa vaca está mentindo!

O filho continou calado.

- Todo mundo sabe que esse teu filho sempre foi boiola, mulher! Dá licença, que eu tenho mais o que fazer.

Margareth bateu a janela. Constatando o óbvio, a mãe chorou. Largou a orelha do filho, assumia uma postura séria agora, quase austera. Apesar das lágrimas, falou secamente:

- Vai para casa e arruma suas coisas.

A menina obedeceu. Estava triste, humilhada, mas aliviada. Agora sua mãe sabia sobre ela, agora não precisava se esconder, calcular seus movimentos, controlar a munheca e agora, seu pai sabendo que era quase uma mulher, talvez se interessasse por ela, já que era mais jovem e bela que a mãe e poderia satisfazê-lo por completo, sem os limites que a mãe impunha.

Apesar da tristeza, pôs um sorriso no rosto. O mais sensual que conhecia. Prendeu o cabelo cacheado num coque com as mãos e entrou em casa. A mãe chegou logo atrás, esbaforida, gritando pelo marido:

- Paulo! Paulo!

O homem cochilava no sofá. Na sala abafada, apenas dois sofás velhos e uma estante com uma televisão no centro. Na televisão, algum programa esportivo. A menina estava em seu quarto em frente ao espelho se arrumando. Essa era a primeira vez que se mostraria maquiada ao pai, tinha que caprichar. Daquele quarto, não sairia Paulo Júnior, e sim Paula.

Depois de alguma confusão vinda da sala, a menina saiu. O pai, quando a viu, fechou a cara. Estava gritando com a esposa, e ao ver o filho, parou. Não muita raiva, só surpresa e decepção. Um golpe forte no peito, algo não esperado. Engoliu tudo em seco. Em tom seco e sério disse:

-Pega suas coisas e se manda.

E apenas. Voltou ao sofá. Sentou-se e terminou seu programa de esportes. A mulher tentou falar sobre, mas não adiantou. Desse dia em diante sempre que a mulher tocava no assunto, desconversava ou saía. O relacionamento com a mulher tornou-se o pior possível, a ponto de serem só dois estranhos dividindo a cama, e, raramente, o sexo. Paulo Jr. Morrera e eles perderam um filho.

Com as palavras do pai, a menina tivera suas ilusões destruídas, o mundo caíra em suas costas. Não pegou muito, apenas algumas maquiagens. As roupas de menino deixou para trás. Não levou nada que pudesse remeter àquela casa, ao território de Paulo Jr. Foi ganhar a vida, ganhar a noite. Saíra de casa Paulinha, e para nunca mais voltar.

Já estabilizada e com seus demônios controlados, alguns anos depois, Paula soube que o pai estava internado em um hospital público. Depois de pensar bastante, foi visitá-lo. Percebendo o total abandono, passou a cuidar do velho, passando a quase morar no hospital. O velho já não falava e conviver com ele era fácil. Quando viu o filho pela primeira vez nem esboçou reação. Talvez pensasse ser alguma enfermeira nova, ou talvez nem pensasse.

Nos banhos desenvolveram seu amor. Apesar do que houvera, Paula ainda nutria algo por seu pai, ou pela figura máscula e forte que habitara aquela casa. Suas fantasias de menino deram origem a um caso de amor: um pai e seu filho, um velho e uma travesti, uma puta e um vegetal: apenas dois amantes. O velho apenas gemia e o amor durou pouco. Em pouco tempo o pênis mole e as fezes sem controle fizeram nascer em Paula um nojo sem igual. Passara a apenas limpar e cuidar do pai.

Não muito tempo depois, chegou o cochilo.

Parte 3


No sexo anal, sargento Gomes percebeu algo sob a calcinha. Pensando que a mulher estava muito excitada, pôs-se a acariciar o volume por cima do pano. Paula sentiu prazer e não se preocupou, pensando que o homem, obviamente, sabia com quem estava lidando. Sentindo o volume crescer o policial desconfiou. Arrancou a calcinha da mulher e pôde ver o pênis, grande e cheio de veias, nascer.
Se assustou e guardou seu membro, ainda ereto e sujo, rapidamente. Se levantou em descompasso, gritando com a mulher. O soldado, que acompanhava a cena não conseguia parar de rir.

- Então é esse o tipo de menina que você gosta, sargento?

- Essa vadia me enganou.

A mulher surpresa e assustada, ainda no chão tentando cobrir o sexo, tentava argumentar:

- Eu pensei que você soubesse.

O amigo nunca o deixaria em paz, esse fato iria desonrá-lo para sempre. Sargento Gomes foi tomado por uma raiva sem igual, fazendo-o bufar e corar as faces:

- Você vai me pagar, seu viado escroto!

O sargento começou a chutar e pisar a moça no chão, que tentava, inutilmente, se defender com as mãos sobre a cabeça, em gritos de desespero. O soldado ficou assustado. O sangue começou a escorrer.

- Você está maluco? E o que a gente vai fazer com o corpo desse viado?

Sem parar de bater, o sargento respondeu:

- A gente dá um jeito.

E o soldado pôs-se a bater também.

Em pouco tempo a mulher já era silêncio e os chutes eram chutes em uma poça de sangue. Começaram a limpar a desgraça e puseram o corpo no camburão. Depois de pouco mais de uma hora, já haviam despejado o corpo em algum córrego da baixada fluminense.

Quanto a Paula, seguiu o rumo natural da vida. Seu corpo não demorou muito a se desfazer, sendo alimento para incontáveis microorganismos e alguns urubus. Suas moléculas, átomos, aminoácidos, etc, estão por aí. Nos rios, nas plantas, no ar, por aí, sob nós, sobre nós. E Paula depois de morta permaneceu onde sempre esteve: por aí.